terça-feira, 10 de agosto de 2010

Antídoto

Há muito tempo que os travesseiros não sentiam aquelas lágrimas! ´De que adianta?´, se perguntava. Mudou o caminho de volta pra casa, limpou o teclado, trocou de e-mail. Apagou a luz, secou a vodca, ligou para a amiga. De nada adiantou. Se ele foi embora de fato, ela não sentia. Parece que deixou a geladeira cheia e a cama desfeita! Nem parece que foi! Perece? Não sabia. ‘Como é que você faz pra existir o tempo todo?’, se perguntava.‘Meu anjo, cura-me! Me dá o antídoto!’ ... sonhava?! Deus é mais! Salve geral! Loucura tem limite? Já findou. Mas a parte de esquecer já não depende de nós. ´Esquecer é bruxaria do tempo´, suspirava.

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"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." - Clarice Lispector