segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cama de gato

Até agora eu me pergunto se esse filme é digno de pena, ou digno de indicações ao Oscar! Ok. Oscar foi demais. Mas, mesmo hoje, depois de tanto refletir (ou não) acerca do filme e das críticas que foram feitas, não sei te dizer ao certo, se esse filme é bom ou ruim. Tendo a dizer que ele é bom. Aliás, minha inclinação é caracterizá-lo como um filme inteligente. Acredito que, a proposta do diretor, não foi fazer uma filmagem mirabolante, com cenas chocantes, numa história tão intensa, que muda a sua maneira de enxergar a vida. Até porque o filme é muito tosco, mal feito, com erros de seqüência, recheado de diálogos clichês na péssima interpretação de muitos atores. Penso que, era justamente essa uma das mensagens que eles queriam passar. Mostrar o tanto que tudo aquilo é ridículo, patético, assustadoramente real, e banal. Todo o filme é uma banalidade só! Chega a ser engraçado de tão ridículo! E ao mesmo tempo é de dar medo a forma como tudo (tudo) no filme, se encaixa ao cotidiano. Inúmeras daquelas babaquices que acontecem nas cenas, eu vejo, diariamente, na minha faculdade. Até que hoje vejo bem menos, pois mal tenho tempo pra olhar de lado, mas cansei de presenciar diversos absurdos daqueles! Devo até dizer, inclusive, que participei de muitos deles. Não. Não to mentindo. E não. Não estou envergonhada com isso. Qual o problema de festas e sexo? Nenhum! É até bom, de vez em quando, pra sair da rotina, pra dançar, rir e fazer besteiras. O problema é quando essas besteiras ultrapassam o limite social, espiritual, carnal, anal, enfim. Quando a babaquice prejudica terceiros. Mas aí é que está a grande questão. Onde está esse limite do absurdo? Isso é algo extremamente subjetivo e varia conforme sua educação, opinião, religião, classe social, amigos, caráter, etc. Penso estar fundamentada na Constituição, a única delimitação concreta que temos do lícito, para o ilícito. No entanto, a aplicabilidade desta mesma Constituição, também vária conforme a sua educação, opinião, poder aquisitivo, etc. Então, quando a festa é exagerada? Quando que a diversão se torna um crime? Sem contar que existem inúmeras pessoas que vivem uma eterna diversão. Elas vivem, praticamente, num mundo exclusivo. Numa ilha da fantasia, eu diria. Cristiano, Francisco e Gabriel são três jovens de classe média que moram em São Paulo. Eles acabaram de entrar no mundo acadêmico (por incrivel que pareça), e estão no auge dos hormônios. É serotonina e testosterona pra tudo que é canto! E, importante salientar, suas vidas se resumem, unicamente, para o benefício de seus respectivos pintos! Sim. É pra isso que eles vivem. Pra obter prazer. Satisfazer o pinto. Posso dizer, que homens, ou melhor, as crianças peludas, sem generalizações, não pensam em outra coisa senão nos seus respectivos umbigos. Ops. Quer dizer, nos seus pintos. Um belo projeto de vida não é!? Acho que por isso existem tantas lésbicas no mundo! Mas enfim. Voltando aos pintos. A busca pelo prazer é a única razão de viver para estas bestas quadradas! Foi como se falou numa determinada cena do filme; Afinal, pra que servimos? O que fazemos? Temos tudo. Computador que pensa por nós. Televisão que pensa por nós, logo, pra que perder meu tempo pensando? Melhor cheirar e curtir a vibe. Melhor trepar sem camisinha com o maior número possível de parceiros(as) que conseguir! Pior do que querer falar, e ser impedido e censurado, é ter a disposição todos os meios possíveis pra se expressar, e não ter porra nenhuma pra dizer! A crítica que é feita, também acerca da impunidade, é interessantíssima, afinal, eu bem sei o quão comum é a existência de dois julgamentos opostos, para uma mesma demanda, dependendo do seu poder aquisitivo. Sem deixar de mencionar a mirabolante sequência de pensamentos dos três protagonistas, com relação à divulgação e exposição de suas ações cujo resultado é um verdadeiro ultrage, através de suas cabeças, aleatóriamente, flutuando na tela, nos remetendo uma idéia de ausência de contéudo, naqueles seus respectivos desabafos, frustrações, medos e questionamentos. Aliás, o melhor mesmo é ter um olhar crítico, do início ao fim do filme, observando bem o comportamento dos atores, dentro de suas rotinas, seus diálogos, suas brincadeiras etc. Dá até uma certa tristeza ao perceber a veracidade daquele enredo. Antes fosse um exagero! Uma caricatura da vida real! Mas o pior de tudo, pelo menos pra mim, foi associar a figura dos personagens, à pessoas que fizeram parte da minha vida. Pessoas que eu, inclusive, namorei e, admito, amei (meu passado me condena). Aqueles diálogos ridículos, aquelas palhaçadas bestas e todos aqueles jogos patéticos, fizeram parte do meu cotidiano, por, exatamente, cinco anos. Apostar dinheiro, dobrar as apostas, triplicar, zerar o cartão de crédito que o pai colocou em seus cuidados, bater um raxa, brincar de brigar e coisas semelhantes, pra mim, não são novidade alguma. Já conheci todo tipo de gente. Já frequentei diversos ambientes. De fato, a veracidade da história é assustadora! Inclusive no que tange ao estupro. Sim. Tenho certeza do que estou falando. Não. Eu nã estou exagerando. Posso dizer que apesar da minha pouca idade, já vivi muito e, por conseguinte, já passei por muita coisa também. Já vi muita coisa e já vivi muita coisa. A cena da menina sendo estuprada, pra mim, é o grande trunfo do filme. A cena é intensa sim. Eu precisei dar pausa, respirar fundo, e contar até 67 pra continuar assistindo. Vou reiterar o que já falei, o que me fez passar mal, não foi apenas a cena em si, o que mais me assusta é a semelhança entre aquele absurdo transformado em filme, e a minha vida. Afinal, é totalmente inusitado e incomum, presenciar vários jovens inconsequentes, alienados, sem pais com culhões e/ou caráter e, por não ter o que fazer da vida, ao sair de uma festa, resolvem tacar fogo num índio que dormia ao relento, só por diversão, só pra ver o que acontece, até porque, ninguém vai fazer nada, é só um índio pobre. Quem vai sentir a falta de um índio pobre? Isso soa absurdo né?! E isso também soa familiar, não é mesmo?! Assustadoramente familiar! E ainda digo mais, aqueles jovens delinquentes, já estão soltos viu!? Não preciso nem ir atrás de informações sobre o caso, já se passaram uns nove anos do ocorrido. Tendo um bom comportanto as respectivas penas já diminuem de um terço a dois terços! Aham. Não to errada não. Confere ai no Deus Google! O benefício do bom comportamento, é ótimo para aquele tipo “bom preso”. No entanto, prevalece a existência do “preso ruim”. Logo, tal ferramenta se torna, apenas, mais um meio de estratégia ou mais uma forma de burlar o sistema. Com essa redução de pena, os condenados passam do regime fechado, para o semi aberto. Alguém, por acaso, volta pra prisão, quando atinge o necessário para progressão de regime? Ou depois de um induto natalino? Sem mencionar, claro, inúmeras outras questões que não trago a tona, por não serem pertinêntes e, por vezes, bastante maçantes. Ah sim, lembrei. Eu tenho uma crítica. Não gostei da triha sonora. Verdade mesmo! Até tentei abrir a mente para algo meio alternativo, com modernidade, aleado a excentricidade, mas não deu. Acho que foi a pior trilha sonora que já foi feita para um filme! Bom, nisso eu afirmo que o filme é ruim. Mas só. Na verdade eu acho que o filme choca por ser tão tosco. E real. Vale a pena conferir. Pergunto-me, apenas, até que ponto, a porcaria de trilha sonora, não foi proposital...


Um pouquinho do filme
video

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"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." - Clarice Lispector