Quinta feira passada machuquei algumas pessoas. Já repararam que não é nada incomum magoarmos, exatamente, quem gosta da gente? Contraditório né?! Fazemos o possível para não destratar ninguém no nosso dia a dia, não brigar com aquele colega insuportável do trabalho, nem, tampouco, xingar o professor safado. Mas aí, quando chegamos em casa, gritamos com todos, pra ‘desabafar’ o dia ruim. Fique pensando nisso, esses dias.
Quando o Raphael terminou o namoro comigo, há uns dois mil anos atrás (terminou em maio/08 – já falei que não se brinca com o coração de ninguém. Machuca. E deixa a marca registrada depois), acordei, no dia seguinte, chorando muito e não levantava da cama. Meu pai então, no final da tarde, trouxe até mim um sanduíche que ele mesmo havia preparado (espero já ter falado, pelo menos um milhão de vezes, que a pessoa que mais amo nesse mundo é o meu pai). Enquanto tentava comer ele disse mais um, dos inúmeros sábios conselhos que, ao longo da minha vida, me ensinou e continua ensinando. Nunca esqueci tais palavras. Num tom firme, de quem dá ordens, ele me falou:
- Deixe de chorar por quem não te dar valor. Chore por quem gosta de você! Não perca tempo chorando por quem não te merece.
Meu pai também fala que devemos perdoar sempre. Ser benevolente com os outros e, se amar primeiro, para depois amar o outro. Bem, ouso contrariar um pouco seus ensinamentos, pois amo primeiro, a eles (minha família) pra depois pensar em me amar. Ah sim, e importante salientar que o meu conceito de família vai além do meu pai, minha mãe e meu irmão.
Pois bem, sem mais rodeios, o que quero dizer, é que muitas vezes machucamos aqueles que mais nos amam e, em contrapartida, temos a maior paciência do mundo, com as pessoas de fora.
E, na medida em que pensava isso e chorava por todas as grosseiras que já falei pro meu pai, pra minha mãe e pro meu irmão, me lembrava da grosseira que fiz com minhas amigas, e me arrependia profundamente. Como arrependimento dói! Mas, como nos é cediço, é errando que se aprende. E, da mesma forma, é perdoando que (também) se ama.
É incrível como aquela pessoa que mais te ama e você gritou na noite passada, ou aquela que você desobedeceu por pura maldade é, justamente, quem sempre vai te desculpar. Talvez essa seja mais uma maneira de demonstração de afeto. Porque amar, o que é lindo e perfeito é muito fácil. O difícil mesmo é amar o imperfeito, o que erra e machuca. Complicado é perdoar o que ofende e arranha, e continuar amando-o da mesma intensidade quem sempre amou.
Já diria a Clarice Lispector: “pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente.”
Nós passamos várias horas e dias, descrevendo o que foi ruim e trágico e, pequenos fragmentos de tempo, valorizando o que foi bom. Costumamos lembrar sempre do que foi ruim, e esquecemos do beijo de bom dia cheio de carinho, do cuidado na amizade, da alegria de um sorriso.
Falaram-me esses dias, que eu tinha tudo pra ser uma pessoa triste e, mesmo assim, insistia em ser feliz. Não é bem isso. Descobri, com muita dificuldade, que a nossa felicidade existe, enquanto fazemos planos futuros, ressentimos o que passou, lembramos do que machucou. Não é uma questão de se enganar. Nada disso. Ser feliz é, exatamente, ficar longe da tristeza superada. É perceber que aconteceram muitas coisas infelizes sim, mas já acabaram. É ter a destreza de constatar que, existem milhares de outras coisas bonitas, também.
Sei que nada está fácil e a cada dia que passa, fica difícil de acreditar na veracidade de um amor, nesses dias tão mentirosos. Por isso mesmo, que o viver bem deve ser concretizado. Pode até ser que estejamos, de fato, em tempos difíceis para os românticos e sonhadores. Mas isso é mais uma escolha que um estado. É o que prefiro ressaltar e demonstrar. Sempre haverá aquelas coisas ruins e as boas, senão o mundo não seria mundo. Apenas prefiro me apegar à esperança. Me atrai mais o dia iluminado e quente que o frio de uma madrugada cinzenta.
E, como diz a música; "Que me perdoe, se eu insisto nesse tema, mas não sei fazer poema ou canção, que fale de outra coisa que não seja o amor. Se o quadradismo dos meus versos, vai de encontro aos intelectos, que não usam o coração como expressão"
Se estou sendo careta e piegas, peço perdão. Já vi muita coisa ruim, acredite. Das pessoas conheço o pior também, acredite. Mas conjugo o verbo sempreamar, e tenho verdadeiras provas de que o carinho gratuito e a amizade verdadeira, existem. Acredite.
Mas, se nada ajudar, eu procuro um espelho e abro um sorriso, assim ele volta pra mim.
E abraço todos aqueles ‘poucos’ que me amam de verdade.
E peço desculpas por tudo que fiz contra quem me ama.
E peço perdão por todas as coisas ruins que ainda farei contra eles.
E agradeço muito à Deus. Sempre. Toda hora. Por ter colocado na minha vida, quem me ame, assim, desse jeito que eu sou.
sábado, 2 de outubro de 2010
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EU sempreamarei VOCÊ!
ResponderExcluirEu estava tão mal e por acaso achei esse blog. Esse texto me alegrou, me mostrou outros sentidos e de alguma maneira despertou minhas forças que estavam adormecidas. Escreve muito bem, parabéns. Adorei esse blog :)
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