domingo, 9 de janeiro de 2011

Novo alguém

Não podemos dizer adeus a quem já partiu. Ou podemos? Já não sei mais o que falar. Se me for possível rever-te, prefiro não. Não, não. Não é isso que quero dizer. Não é isso que sinto. A verdade é que já não faço mais questão alguma de lhe falar. Ou de tocar. Mas já não fujo mais.
Estranho é não sentir aquele pulsar. E nem pulsar incomum de modo algum, ao te deparar. Assustador é não ter o peito arfando, só de lembrar! Que se faz, quando se deixa de mencionar? Pensar? Relevar? De sonhar?
O que se tinha, sumiu. E sabe-se lá pra que lugar! Não ter que lembrar de te esquecer. É um esquecer de não mais, poder gostar. Já não importar. Desprezar. E não para ferir. Não, não. Mas qualquer coisa como deixar de existir. Não te sentir. Onde foi parar?
Pergunto-me onde está. Não o ser. Mas sim, aquilo que podia nascer. Tanto pedia. E sentia. Hoje, qualquer brisa já te arrastou, sem tomar ciência da partida. Nem sei, ao certo, se tardia. Mas finda. Feita. Perfeita ida de você. Sem mim. Viver bem, sem querer. Nem prever ou dever. Apenas ser. Sem você, que nunca me desejou. Que eu sempre desejei tão bem. Como ninguém. Mesmo sem.
A melhor maneira de te matar, foi não parar de pensar. Não me controlar para sorrir, nem chorar. E, somente, te desejar. Longe ou perto, sempre bem. Querer sempre o bem, pra te aquecer. Independente de com quem. Mas repito, sempre bem. E assim, o vento levou pra além. De mim. E você foi desaparecendo na multidão que ressurge, por entre vários ninguéns que me vêem. E que vão. E que, sempre tem. A vida leva e trás, faz e refaz.
Nunca perdeu-se algo, por amar demais. Liberta-se, só de viver em paz. E te soprar tudo o que há de bom em mim! Quietude decorrente, que formou aqui dentro do peito e planejou o desfecho da tua partida. Efêmera verdade da passagem. Que muda. Renova a nossa aliança de certezas. Na firmeza e constância transição, de se viver.
Que mais querer? Não se tem mais o que desejar, pois já tenho em mim, a parte desejada, diz o poeta.
A tua não existência, que curou meu coração. Pensar-te feliz, que me acalentou a emoção. E a liberdade criou-se, com a eterna anuncianção de que a vida, só é linda de viver, acorrentada à paixão de ser e fazer tudo sem medo, refeito e bem feito. Com a vontade de ser perfeito e novo. De novo.

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"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." - Clarice Lispector