terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"como eu morro de amor, pra tentar reviver"

Mais desconfortável que qualquer ressaca, daquelas que não nos deixam em paz, nem depois de alguns comprimidos, é ver o ser que tanto mal te fez, relembrar das cinco horas que passou chorando, atrelado aos dois dias que passou dormindo, deixar-se invadir pelo antigo sentimento de tristeza, desânimo e melancolia de quem perde a confiança em si próprio, lembrar-se de como nada que enxergava parecia existir, e de como nada mais fazia sentido, pois havia desaprendido a acreditar.
Esquisito mesmo é rememorar a ausência de outra dor e/ou de outro medo, pois já haviam atingido seu limite do possível, surpreender-se sorrindo por coisa qualquer e, ao avistá-lo, mantendo o coração calmo e sereno, como o tinha naquele segundo atrás de momento em que não sabia dele, nem de ninguém, somente de si, sem mais nem ter nem porque, reparou no vento que batia suave no rosto, sentiu o frescor daquele dia tão claro, suspirou com o acalento do coração e não viu mais nele, nenhum predicado, nem característica, ou substantivo e tudo que sabia era silêncio. ‘Dificílimo traduzir o silêncio’, pensava.
Mas sabia que aquele sorriso, aquele lindo sorriso, e aquele enorme suspiro solto no ar, junto das tantas pétalas em seu coração, e da morte do amor hoje esquecido, chama-se tempo. Do tempo. Tempo ao tempo. Que cura. Acalento. É o tempo. É o tempo.

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"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." - Clarice Lispector