Tem uma música que ultimamente não sai da minha cabeça – pra variar, eu sei, isso sempre acontece comigo. Confesso que prefiro a versão que o Pedro Luis (e a sua parede) fez com o Ney Matogrosso. Até gosto daquela super conhecida dos Doces Bárbaros, e respeito a do compositor Milton Nascimento, mas tenho verdadeira paixão por aquela que é cantada de maneira bem alegre e cheia de sotaque pernambucano! Acho que a letra pede algo assim!
A canção fala sobre ‘deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo’. De como a vida com ‘a fé, a fé, paixão e fé, a fé’, é melhor de ser vivida. Quer lema mais oportuno que esse? Ou canção de despertador no celular, ideal, pra começar bem o dia, senão essa que recomendo agora?!
Há alguns anos que esse virou meu hino pessoal! ‘Agora eu não pergunto mais aonde vai a estrada’! Já coloquei minha vida e meu destino nas mãos de Deus (mesmo não possuindo uma religião definida e especifica, digo logo). Não consigo perceber melhor forma de levar a vida que não seja essa, desapegadamente. Eu pratico o desapego. Ou melhor, tento praticar. E tento também viver um dia de cada vez, aproveitando o presente que Deus me deu, sem me preocupar com o que foi, nem com o que será. Um dia ainda consigo plenamente, tenho fé nisso (faca amolada!).
Pois bem. E assim, nesse clima de alto astral, resolvi passear um pouco com o meu cachorro, afinal, o Caetaninho também merece ‘brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada’!
Sob o Sol quente de Brasília, deixava o dog mais lindo do mundo me guiar, enquanto terminava o livro do Don Miguel Ruiz, a respeito da filosofia Tolteca de vida (uma espécie de instruções para nos ajudar a viver melhor), quando ele surge!
Ele, o tipo de criatura humana que eu fujo! Uma espécie em extinção (amém senhor!) que parece sentir tesão por mim, de tanto que atraio; - Pessoas loucas que aparecem do além.
É impressionante uma coisa dessas! O dessa vez já chegou com uma Bíblia embaixo do braço, um ar de quem acabou de tomar prozac, perguntando para o pobre do cachorro com uma voz que só é admissível ser ouvida por outra pessoa, quando já se tem uma enorme intimidade e não haverá nenhum julgamento ao escutá-la, e ao contrário, provavelmente seria considerado algo fofo, ou bonitinho:
- Você que é o danadinho do 107 que fica chorando e deixa minha mãe louca? Pois é, porque minha mãe não agüenta mais seus choros! Quase fui com a minha mãe uma vez te visitar, e te dar um osso, pra ver se você ficava quieto. Porque eu e minha mãe somos apaixonados por cachorros, mas minha mãe fala que nunca viu pestinha mais manhoso como você!
(Provavelmente foi o recorde de usos da palavra ‘mãe’ numa única sentença).
Tão incrédula quanto o Caetano fiquei eu, ao perceber que ele, enquanto se apresentava, já tirava a guia dele da minha mão, assumia o controle da situação e, pasme, me convidava para passear junto dele, e do MEU cachorro!
Como sei que doido a gente não deve contrariar, aceitei o convite. Enquanto ele se divertia, e o Caetano e eu nos espantávamos, ele, cujo nome não me recordo, vinha desabafando sobre o tanto que era um filho de Deus, com Jesus no coração, e sofria, pois todos os relacionamentos que teve foram errados, e ele só encontrava mulheres que não queriam saber de nada sério, só gostavam de cerveja, cigarro e usar drogas. Que queria se casar e que era financeiramente estável.
Tive o ímpeto de falar que gosto do cheiro de cigarro. Pergunto-me se ele teria corrido, se eu falasse que já tinha usado maconha. Acredito que tudo teria dado certo, e ele, provavelmente fugiria de mim quando soubesse que eu trabalho num terreiro de umbanda, jogo Tarô e realmente acredito no poder da mente.
Mas nada feito. A incredulidade na situação me tirou todas as palavras da boca, e tudo que eu consegui falar foi; ‘mas pensamento positivo, um dia encontraremos a pessoa certa’.
Meu irmão costuma falar que, as vezes, tenho a mesma cabeça de uma porta. Acho que esse momento encaixa perfeitamente na teoria que ele possui, pois, mal eu tive tempo de perceber a merda sem fim que havia dito, ele já foi perguntando se eu era casada, tinha namorado ou se estava noiva.
Na velocidade da luz que é o meu pensamento, me lembrei daquele e podia falar que estava enrolada, em seguida me lembrei do outro, e conclui que meu status era viúva, mas o medo de dizer isso foi tamanho, o receio de ser mal interpretada foi tão grande, o tempo era tão curto, e ‘ele me comia com aqueles olhos de comer fotografia’ e eu querendo desesperadamente fugir do ‘xis’, que consegui, apenas e tão somente, responder que estava bem e feliz.
Obvio que não foi o suficiente! E ao ver que ele se aproximava muito de mim, e me tocava desnecessariamente no ombro, disse no meu momento burra loira o retorno, que também estava solteira.
Percebi que ele sorriu demais naquele momento, e senti até um frio da barriga.
Foi quando, por certo, ele começou a me dizer quanto ganha e que carro possui. Mas tudo bem, sou uma pessoa tão sensacional, que até já esqueci o que ele disse.
Ah sim, quase esqueço. Nesse meio tempo ele também perguntava se tinha descendência japonesa, pois possuía olhos puxados. Respondi que sou nordestina, descendente de índio, e que o mais longe que já fui na minha vida foi pra São Paulo.
Ao falar isso pensei que ele perderia o interesse em mim, ao algo do tipo, já que não possuo nada ‘fino’ na árvore ginecológica. Mas perdi o fio de esperança que crescia no peito quando ele disse; ‘Sou mineiro, filho paulista, com família gaucha, descendente de japonês e europeu, tudo que falta na minha vida é um pouco de sangue nordestino e da beleza tropical indígena’.
Procurei desesperadamente por um balde para vomitar, mas não achei.
Como o Caetano fez um pouco de xixi no tênis dele (eu amo o meu cachorro ♥), ele teve que subir, e com isso, o convite dele de me levar para o eixão e passear, eu, ele, o Caetano, o Greg (o cachorro dele), - e muito provavelmente com a mãe dele-, foi para o espaço!
Ele subiu rapidamente e eu agradeci a Deus e ao meu anjo da guarda com todas as minhas forças por eles terem me livrado daquela loucura! Quase chorei de tanta emoção! E como premio para o Caetano, fui correr com ele. Corri e corri, gargalhei, ri da situação, e beijei muito aquele serzinho que havia me salvado das garras do bicho papão japonês gordo, que anda com uma calça jeans que aperta suas banhas e que quando se abaixa aparece o cofrinho.
No auge da minha felicidade, eu olho para o lado e vejo um belo cachorro se aproximar do meu. Interessante como meu coração disparou naquele momento, e eu confundi o aviso dos céus, com emoção por atrair um lindo cachorro como aquele para perto de mim.
Certo. Chute de quem era o cachorro. Três chances! Pode dizer... pois é. Ele ressurgiu! E dessa vez gritando pra mãe dele, que estava na sacada do terceiro andar, que eu era a dona do pestinha que latia toda hora; ‘olha mãe, esse é o manhoso’. ‘Olha só como ele é lindo mãe, puxou a mãe dele’. ‘Mãe, vou levar mais um cachorro pra casa tá?!’. ‘Mãe eu a convidei para nos visitar outra hora com o Caetano tá?!’.
E eu, uma estatua loira (ok, hoje metade loira, metade morena), triste, com aquele sorriso forçado, apenas acenando e elaborando um jeito de tirar o Caetano dos braços da fera!
Não sei bem como fiz isso, mas consegui pegar o bichinho, disse que tinha que subir, pois estava exausta da correria que o pestinha havia me submetido, e já estava tarde.
Ele, claro, também subiu com o Greg dele, por educação obviamente, pois ele é um gentleman! Minha sorte é que o Greg correu para as escadas, eu empurrei o Caetano elevador a dentro, e corri para casa. ‘Mãe tranca a porta, dá três voltas na fechadura e não abra a porta para estranhos’, avisava desesperadamente, antes que o mundo acabasse.
Mas no final todos sobreviveram. Apenas peço ajuda para quem me lê agora. Ultimamente pratico a Ho’oponopono, uma técnica havaiana de limpeza do subconsciente. Fiz um curso e sou uma deeksha giver, além de tentar incorporar no meu dia a dia a meditação.
Alguém mais sabe de algo que eu deva fazer? Banho de sal grosso eu tomo quinzenalmente, faço todo mês a novena de Santa Teresinha e de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Alguém sugere outra coisa? Acho que estou precisando.
A única coisa que me consola nessa historia, é que eu tenho um cachorro lindo, que também chegou até mim do nada, e que me ama muito do jeitinho que eu sou, e não liga se eu atraio pessoas loucas que aparecem do além.
‘Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo’... tenho fé!
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kkkkkkk ginecológica, só tú mesmo muie@!! Nossa cara. Volta a escreve biazuda melzuda!!
ResponderExcluirbsitos
Naninha