Ontem eu quis morrer! Verdade! Não, eu queria mesmo era matar! Morte lenta sabe?! Morte lenta para uma certa pessoinha, isso sim! Do tipo bem dolorida! Com faca enferrujada e tudo. Não, não, melhor. Com um estilete. Isso! Es-ti-le-te. E cego ainda por cima! Daqueles que já foram super usados para cortar isopor!
Arquitetei mentalmente, inclusive, o aviso para ele se preparar; ‘hoje é seu ultimo dia de vida! Se eu fosse você, viajaria correndo para o fim do mundo, com direito a passagem só de ida e as porra’!
Mas, (in)felizmente, foi apenas um lapso. Nada que tenho surtido efeito. Nem se prolongado com o tempo. Alias, acredito que esse plano durou uns 30 minutos apenas, depois descartei-o e fui fazer outra bobagem qualquer, sem proporções estrondosas como esta...
Mas ficou um resquício em mim. Uma farpa no dedo. Tem uma música do Lenine que não sai da minha cabeça! Digo logo que não gosto de Lenine. Prefiro Otto. Mil vezes o ex da Alessandra Negrini!
Essa música que me refiro, entretanto, é uma das poucas que gosto do seu repertório.
“Meu amor, o que você faria, se só te restasse esse dia?”
Já prestou atenção na letra? O compositor – Paulinho Moska -, é cheio de sacadas que só vejo serem produzidas pelo Arnaldo Antunes! Já perdeu sem tempo pensando nisso? No que fazer se soubesse que nada mais lhe resta, que tudo pelo qual luta e dar valor, jájá vai acabar-se pelos ares, e que, de repente não mais que de repente, você esta livre?! Isso mesmo! A canção fala sobre liberdade. Sobre desprendimento, eu diria. O que você faria se tudo fosse terminar? Se você soubesse que tudo isso é passageiro, findo e superficial? ‘Ufa’, né?! Que sensação boa! De fazer algo sem preocupação alguma com conclusões e julgamentos de terceiros, de não ter que dar satisfação de nada. Somente ser aquilo que se é. Quem dera que todos os dias fossem o último dia de nossas vidas!
E talvez, viva bem aquele que experiencia seu dia, como sendo o último. Não falo no sentido de fazer as coisas sem responsabilidade alguma, mas sim no que tange a viver sem amarras, sem ter que fazer algo para agradar um, ou deixar de falar o que deseja, para não desagradar outrem.
Minha meta atualmente, não canso de dizer, é viver um dia de cada vez. Aproveitar ao máximo o meu presente, sem o peso do passado, nem o medo do futuro, e ser completamente aberta para saber que não existe nada a temer!
Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu só queria ser. ‘Só’ isso. Descobrir quem realmente sou, e ser. Não ficar mais com medo do que os outros possam pensar de mim.
Na forma tolteca de viver, o anjo da morte nos ensina sobre o desapego. “Você viu que tudo o que existe aqui é meu, não é seu. Sua casa, sua esposa, seus filhos, seu carro, seu dinheiro – tudo é meu! Posso tirar de você quando eu quiser, mas por enquanto pode ir usando”.
'Ufa’ de novo né?! Que peso retirado hein?! Que tal amar, só por amar? Acredito que a frustração existe, quando atrelamos ao amor, o sentimento de posse. A verdade é que não podemos possuir ninguém, além de que, tudo aquilo que possuímos é, por certo, perecível, ou, por outra, passageiro.
Assustador? Não acho. Prefiro a expressão ‘libertador’ mesmo. Um dia consigo!
Por enquanto fico na corda bamba de quem oscila, e às vezes, como agora, me dá vontade só de ‘entrar de roupa no mar’! Outras vezes penso em fugir, sair correndo no meio da rua! E tenho fé que um dia consigo gozar a vida, e até ‘trepava sem camisinha’!
quinta-feira, 30 de junho de 2011
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