sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
"50 polichinelos", diz um certo alguém.
Mas não é bem sobre isso que eu queria falar. Na verdade não sei bem o que dizer. É tudo tão recente. Foi agora. Há dois minutos. Juro! Acho que ainda não “processei”, mas, já que tem um tempinho livre, um computador dando sopa e um turbilhão de idéias, nada melhor do que tentar ordená-las não é mesmo?
Eu mudei. Não, não. Isso acontece a toda hora. Acho que é melhor; - eu tentei! Desde ontem, na verdade, mas só agora concretizei.
Hoje de manhã quando acordei, o pensamento era igual, apesar de atitude diferente é bem verdade – tenho o meu mérito também vai -, e agora, depois disso tudo (se eu te contar o que aconteceu você vai brigar comigo, vai dizer que isso não é nada demais e pensará “grande mudança porra nenhuma”, então, para evitar a fadiga, vou ficar calada. “Mistério sempre há de pintar por aí”, afinal ...) eu continuo aqui, a mesma pessoa. A mesmíssima pessoa, apenas um pouco mais feliz por ter ousado me sentir diferente de mim mesma, o que é vital uma vez ao dia.
sábado, 3 de setembro de 2011
Eu andorinha ...
Querida amiga,
Fiquei pensando em todas aquelas coisas que você me disse. Essas coisas tão tristes e tão vergonhosas que aconteceram na sua vida. E na minha vida. E não somente porque tudo aquilo que acontece com você repercute em mim porque eu te amo muito, mas também, e talvez principalmente porque isso tudo que você me contou no telefone é corriqueiro. Um grande obvio que demorei a perceber. Falo desse negócio que se repete a toda hora.
Há algum tempo atrás, tempo nada remoto inclusive, acreditava que essa coisa era exclusividade minha. Que só acontecia comigo. Não reparava que isso é algo como uma sessão da tarde, que reprisa o mesmo filme a toda hora, todo dia, por mais que todo mundo já esteja completamente enjoado de tudo! E não que isso sirva de consolo, afinal, nem eu, nem você tenho certeza, consegue se consolar sabendo que essa coisa vive acontecendo e entristecendo a todos que estão a nossa volta. Mas isso nos ajuda a entender e a, por incrível que pareça, nos manter equilibradas. Não a coisa em si, mas o fato de saber que ela não é peça única, apenas, do nosso guarda roupa. É quase do mesmo jeito que uma loja de departamentos, onde aquela pessoa que você vê todos os dias, mas não tem a menor intimidade pra dar ‘oi’, aparece com a mesma blusa maravilhosa que estava em promoção e que você adorou, pois lhe serviu como uma luva, e só lhe resta agora disfarçar colocando um casaco por cima da tão amada aquisição que você jurava que era exclusiva, mas ... nada em lojas de departamentos é peça única honey!
Pois é, então, eis que descobri a verdade – antes tarde do que nunca; Isso acontece toda hora! Não minha querida amiga, eu não estou sendo pessimista. Sabe que me esforço pra manter o otimismo. Apenas quero te dizer que isso é muito comum. Praticamente a mola que move o mundo. Que faz a Terra girar. Ok, exagerei, mas não disse nenhuma mentira! Já parou pra reparar quantas músicas lindas, poesias e filmes foram feitos a partir deste fatídico final (in)feliz?! Foram criadas esculturas, quadros, peças de teatro e até rede social em internet pelo amor de Deus (já assistiu o filme do facebook né amiga?), e tudo isso graças ao tão falado coração partido.
Quantos arranjos musicais e até descobertas cientificas não teriam sido feitas, sem essa tal desilusão? Não que eu acredite que o sofrimento seja a única maneira que temos para aprender as coisas. Não acredito nisso mesmo! Aliás, eu peço pra Deus me ensinar sempre com muito amor! Mas agora minha linda, observe bem as coisas como são; você sabe o que é melhor pra você? Sabe mesmo, com certeza? Você se conhece perfeitamente? Não, melhor que isso, você simplesmente, sabe quem é? Quem de fato é? Todas as aspirações, talentos e defeitos? Sabe, pormenorizadamente, do que seria capaz nessa vida? Bem, eu não me conheço amiga. Nadinha. Ultimamente cada dia tem sido uma surpresa, eu diria. E a parte boa é que tenho me surpreendido positivamente comigo mesma. Não que a vida só tenha me dado cenas de filmes de comédia romântica para viver, e na verdade está tudo mais para um ‘Planeta dos Macacos’ do que para qualquer outra coisa, mas me peguei tendo reações inusitadas para situações um tanto quanto difíceis. Acho que meu crescimento está chegando, aos trancos e barrancos, de um jeito ou de outro, mas estou, enfim, crescendo. Bem, mas não era disso que queria falar. Onde eu estava mesmo? Ah sim, esse negócio de autoconhecimento. Complexo.
Mas então, se você, pessoa imperfeita como eu e como qualquer outra pessoa deste mundo, não se conhece com exatidão, como você sabe precisar aquilo que é bom pra você? Como você consegue diferenciar uma situação que é completamente injusta de vivenciar, com outra ‘do seu número’? Não dá. E esse é o ponto que quero chegar com você. A gente, de fato, não sabe o que é melhor pra nós mesmos. Eu até ouso dizer que, alguns de nós, podem ter uma boa idéia do que seja bom e não tão bom assim, mas saber os planos, os caminhos e os atalhos ... só Ele mesmo não é? E se somente Ele nos conhece e sabe o que é melhor para nós, como podemos lamentar por essa coisa ruim que (nos) aconteceu?
Ta bem, ta bem, você vai me dizer que lamenta, porque dói. E dói mesmo! Machuca né? Arde o peito e é difícil respirar. É triste pra levantar da cama, dá enjôo e vontade de não comer nada. Ou então de comer tudo. E parece que a vida se tornou sem graça, tudo preto no branco, como naqueles filmes de antigamente, e nada parece que, algum dia, vai voltar a brilhar. Quase como se tudo que existisse fosse silêncio, vazio, e pó ...
I-lu-são gata. Tudo isso é falso! Mas nada de pular etapas. É preciso também lavar a alma de vez em quando. E essa tal noite escura serve perfeitamente pra isso. Mas depois vem a merecida calmaria. Como se poderia enxergar a beleza de um amanhecer, sem ter visto, de perto, o frio de uma noite sem sal? E meu bem, se Ele permite que coisas como essa aconteçam é por algum motivo, ou você acha que tem capacidade e envergadura moral para contestar algo que Ele permitiu? Eu já tentei, e já desisti. Nem no meu melhor momento Einstein consegui chegar perto. Então encontrei a minha paz, de algum jeito e de alguma maneira, somente aceitando as coisas, inclusive essa coisa que acontece corriqueiramente. Percebo hoje que, se Ele, que só deseja o meu bem, permitiu que essa coisa devastadora acontecesse comigo, é porque existem razões e motivos para tanto. Talvez porque aquele amormaiordomundo, não fosse tão predestinado assim, afinal. Talvez Ele esteja apenas me salvando de uma situação que não geraria bons frutos, ou talvez Ele esteja me proporcionando um aprendizado e um aperfeiçoamento que só seria possível de acontecer para mim, cabeça dura e teimosa que sou, desse jeito mais assim de ser. Desse jeito assim mais doído mesmo. Com essa coisa que é dolorosa de carregar dentro do peito.
E não sei o que acontece meu amor, mas depois que essa coisa toda passa, algo como uma força sobrenatural se instala dentro da gente, no lugar daquela piegas mazela de antes. E ai a gente percebe que deixar ir, é a coisa mais corajosa e mais maravilhosa que podemos fazer por nós mesmos! Não é questão de virar santa e dar a outra face. Nada disso. Esse negócio de ser santa deve ser chato pra burro, não canso de dizer, mas falo em ‘esquecer’, em nome apenas e tão somente, do nosso próprio bem estar. Porque egoísmo também pode significar amor próprio ...
E ao desapegar e deixar o que passou, para trás, eu estou demonstrando amor e respeito por aquele ser que mais merece o meu amor e respeito, qual seja, eu mesma! E me dando, decerto, a oportunidade de recomeçar. Ou você ainda acha que alguém poderá suprir a falta de amor que você porventura sentir por você mesma? Ou que a sua paz só será fornecida por energias externas, nada relacionadas a você mesma, nem ao seu interior? Já diria Dalai Lama; ‘Dê a quem você ama asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar’. Cuide de você mesma. Do seu próprio crescimento e da sua consciência. E o mais importante – isso eu aprendi num livro amiga, por favor, quando puder, leia ‘O Quinto Compromisso’, do Don Miguel Ruiz -, se demos o nosso melhor, se fizemos tudo o que foi possível e não deu certo, o problema não é meu. Não leve essa coisa para o lado pessoal. Não tente encontrar defeitos em você que não existe! Cada um de nós é um verdadeiro artista e cabe a nós mesmo transformar as nossas vidas em obras primas! Mas você também pode optar por desenhar uma existência triste e sem cor. A escolha é sua.
E então eu chego ao seu telefonema. E o que eu estou tentando te dizer minha querida é aquela coisa clichê de ‘Nossas dúvidas são traidores e nos fazem perder o bem que às vezes poderíamos ganhar se não fosse o medo de tentar’. Clichês são bregas, bem sei, mas isso não quer dizer que eles, necessariamente, estão equivocados. E isso também não quer dizer que essa frase pertença ao William Shakespeare ... tenho duvidas se esse não é um daqueles dizeres que todo mundo atribui, erroneamente, para o Mario Quintana, William Shakespeare, Paulo Coelho ou Clarice Lispector, quando é da autoria de, na verdade, algum escritor desconhecido do sul do país, que não ganhou os créditos de sua própria criação, devido a uma má divulgação gerada dentro do Deus Google mesmo. Bem, mas isso não vem ao caso (é, diga isso para o verdadeiro autor lesado e sem o seu devido reconhecimento).
Mas veja bem minha querida, se a vida lhe deu uma nova chance, quem sabe esse não é um daqueles momentos que também acontece muito por ai, e que também gera muitas esculturas e trabalhos de patchwork, de total perfeição e incredulidade, de grande intensidade, beleza e amor, e que, por ser assim tão perfeito e tão memorável, torna-se tão difíceis de acreditar? É tipo um sonho que se torna realidade e que, quando está acontecendo, a gente fica assim toda boba, de olhos esbugalhados, coração disparado e até fica se beliscando pra ver se é real e se não passa de outra fantasia sonhada.
E como saber, então, o que essa coisa é? E eu te digo, nas palavras de um amigo muito querido; se jogando amiga! Mas a escolha é sua (olha aí a danada da escolha de novo), você pode se fechar no seu escafandro, apesar de ser uma linda borboleta (oportunamente recomendo também ‘o escafandro e a borboleta’), pelo medo de sofrer novamente com essa coisa que aconteceu com você, e comigo, e com esse mundo todo de meu Deus, ou você pode deixar aquilo que passou ir, e deixar acontecer o que talvez esteja se iniciando enfim/por fim. E, aliás, deixo aqui o registro para todas as minhas outras amigas que também estão me lendo, e que já estão vivendo (n)esse sonho, o meu desejo que o tal momento tão bem falado, torne-se eterno.
E sabe minha amiga, se por acaso quem sabe, o pior aconteça e ele não seja nem metade daquele príncipe que a Disney e seus filmes implementaram nas nossas cabeças desde que nascemos, estando mais para um sapo do que para qualquer outra coisa, você acha mesmo que, depois de ter vivido o duro período de fortalecimento, e ter sobrevivido a essa coisa que devasta o nosso ser, corpo, alma, vísceras e entranhas, você vai ficar toda dolorida de novo, como ficou naquela outra vez?
Aliás, o pior que poderia acontecer, é que as coisas voltem a ser da maneira como são agora, exatamente agora, nesse momento presente que Deus lhe deu, mas será que está tudo tão ruim assim afinal, pergunto-me e te pergunto ...
"Todos esses que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão ... eu passarinho.” - Mario Quintana.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Ontem eu quis morrer!
Arquitetei mentalmente, inclusive, o aviso para ele se preparar; ‘hoje é seu ultimo dia de vida! Se eu fosse você, viajaria correndo para o fim do mundo, com direito a passagem só de ida e as porra’!
Mas, (in)felizmente, foi apenas um lapso. Nada que tenho surtido efeito. Nem se prolongado com o tempo. Alias, acredito que esse plano durou uns 30 minutos apenas, depois descartei-o e fui fazer outra bobagem qualquer, sem proporções estrondosas como esta...
Mas ficou um resquício em mim. Uma farpa no dedo. Tem uma música do Lenine que não sai da minha cabeça! Digo logo que não gosto de Lenine. Prefiro Otto. Mil vezes o ex da Alessandra Negrini!
Essa música que me refiro, entretanto, é uma das poucas que gosto do seu repertório.
“Meu amor, o que você faria, se só te restasse esse dia?”
Já prestou atenção na letra? O compositor – Paulinho Moska -, é cheio de sacadas que só vejo serem produzidas pelo Arnaldo Antunes! Já perdeu sem tempo pensando nisso? No que fazer se soubesse que nada mais lhe resta, que tudo pelo qual luta e dar valor, jájá vai acabar-se pelos ares, e que, de repente não mais que de repente, você esta livre?! Isso mesmo! A canção fala sobre liberdade. Sobre desprendimento, eu diria. O que você faria se tudo fosse terminar? Se você soubesse que tudo isso é passageiro, findo e superficial? ‘Ufa’, né?! Que sensação boa! De fazer algo sem preocupação alguma com conclusões e julgamentos de terceiros, de não ter que dar satisfação de nada. Somente ser aquilo que se é. Quem dera que todos os dias fossem o último dia de nossas vidas!
E talvez, viva bem aquele que experiencia seu dia, como sendo o último. Não falo no sentido de fazer as coisas sem responsabilidade alguma, mas sim no que tange a viver sem amarras, sem ter que fazer algo para agradar um, ou deixar de falar o que deseja, para não desagradar outrem.
Minha meta atualmente, não canso de dizer, é viver um dia de cada vez. Aproveitar ao máximo o meu presente, sem o peso do passado, nem o medo do futuro, e ser completamente aberta para saber que não existe nada a temer!
Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu só queria ser. ‘Só’ isso. Descobrir quem realmente sou, e ser. Não ficar mais com medo do que os outros possam pensar de mim.
Na forma tolteca de viver, o anjo da morte nos ensina sobre o desapego. “Você viu que tudo o que existe aqui é meu, não é seu. Sua casa, sua esposa, seus filhos, seu carro, seu dinheiro – tudo é meu! Posso tirar de você quando eu quiser, mas por enquanto pode ir usando”.
'Ufa’ de novo né?! Que peso retirado hein?! Que tal amar, só por amar? Acredito que a frustração existe, quando atrelamos ao amor, o sentimento de posse. A verdade é que não podemos possuir ninguém, além de que, tudo aquilo que possuímos é, por certo, perecível, ou, por outra, passageiro.
Assustador? Não acho. Prefiro a expressão ‘libertador’ mesmo. Um dia consigo!
Por enquanto fico na corda bamba de quem oscila, e às vezes, como agora, me dá vontade só de ‘entrar de roupa no mar’! Outras vezes penso em fugir, sair correndo no meio da rua! E tenho fé que um dia consigo gozar a vida, e até ‘trepava sem camisinha’!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Pudera...
Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem vida pra gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou."
[Maria de Queiroz]
Tsuru
‘Isso mais parece um dinossauro’, alguns meninos diziam, só para implicar com ela! Ela respondia, sem dar muita trela, que era um tipo de pássaro que voa bem alto, chamado Tsuru.
Tinha orgulho de falar esse nome; Tsuru. Era bonito. Pássaro importante! ‘O-ri-ga-mi’, dizia. Nada de dobradura! Era uma criança bem orgulhosa, daquelas amostradas, que toda nota boa que tirava na escola, ou todo novo menino que decidia gostar, era motivo para criar um passarinho novo, nova cor, novo tamanho, novas pintinhas azuladas, novas listrinhas marrons e novo bico vermelho ou preto.
Cada Tsuru, um desejo. Cada sonho, um novo pássaro que voa alto.
Ela fazia um pássaro azul, vinha logo um menino e perguntava; ‘Cadê a esposa dele? Faz um pássaro rosa também’.
E ela, impaciente que era, já respondia que eles andavam em bandos e sozinhos! Cada um no seu vôo. Todos juntos. Não tinha esse negocio de passarinho em dupla. Era em bando. Ban-do! ‘Por que será que meninos nunca entendem as coisas mais simples?’, resmungava incrédula!
Até que um novo menino entrou na turminha da escola. E pelo sotaque ele vinha de Minas, ou de algum lugar onde as pessoas costumam falar engraçado, ela não sabia ao certo a sua origem, mas o que lhe chamou a atenção é que ele entendia das coisas! Era sabido. A primeira coisa que disse pra ela quando viu os passarinhos foi:
- Faz um pra mim também! Eu quero o meu todo verde! Ai o meu pássaro pode ficar junto dos seus?
‘Esse menino é diferente dos outros’, ela pensava. E todo dia fazia um Tsuru diferente. Cada um mais bonito que o outro. Tudo na esperança dele vir conversar de novo! E ele vinha. Ele ia. Sempre ia e vinha. Indo e voltando pra ela. E para os pássaros.
O tempo passou e eles começaram a fazer tudo juntos. Andar de bicicleta, brincar de pega, curso de inglês, fizeram natação, teatro, aprenderam a tocar violão e a andar de skate. Tudo juntos! E ela sempre fazia Tsurus para ele.
Sempre que ele ficava triste, ganhava um Tsuru. Quando estava feliz, ganha outro Tsuru. Quando caia da bicicleta, lá estava ela dobrando e criando outro passarinho de papel. E em troca ele dava sonhos de valsa, às vezes jujubas, e com o tempo, ele a presenteava com beijos.
Mas ele não queria aprender a fazer esse pássaro não. Ela até tentava ensinar, na sala de aula, no recreio, nas tardes que passavam conversando, e nas noites que dividiam os lençóis, mas nada feito. Ele não queria aprender. Dizia que isso era coisa dela. Só dela. ‘Eu não preciso aprender. Você faz para mim e eu guardo todos’. Era simples. Muito simples.
Mas um dia o pai dele teve que se mudar. Ou foi o tio que passou no concurso do Banco em outro estado, e ele foi junto. Algo assim. O fato é que ele foi morar longe. Bem longe! De volta para aquela cidade lá, onde as pessoas falam engraçado. E ela ficou aqui, com o bando de Tsuru. E ele lá, sem ninguém para fazer passarinhos de papel.
Tentaram manter contato, mas você sabe como são as coisas né? Colégio novo, meninas novas, e pássaro rosa solitário logo arruma companhia de outros da cor azul, vermelha e, por que não, até laranja mesmo!
Mas ela nunca deixou o seu costume de dobrar passarinhos pelas esquinas. E mesmo mocinha, a cada Tsuru verde que fazia, lembrava dele, e sentia saudade.
Uma vez, o noivo dela resolveu arrumar a casa que moravam com a ajuda de uma boa faxineira que tinha encontrado recentemente, mas a senhora, quase joga um bando de passarinhos que tinha no chão da sala, ao lado do sofá, no lixo! O noivo aflito, vendo a cena, rapidamente chega até essa senhora que só pretendia ajudar, e fala; ‘não faça isso que a Cecília adora esses passarinhos de papel, principalmente esses verdes! Deixa que eu guardo todos!’
Mais ou menos nessa mesma época, o agora crescido Raul, exibia todo orgulhoso um Tsuru, e o deixava em cima do criado mudo. Sua nova namorada então, surpresa, olha para aquele origami e pergunta:
- Não sabia que você entendia de dobraduras Raul! Faz um desses rosa, pra ficar junto desse verde escuro aqui!
Ele, impaciente, responde:
- Pois é. Resolvi, enfim, aprender! Tenho ainda um bando para fazer. Ah, e isso não é dobradura, é origami. O-ri-ga-mi! (#longosuspiro,elanãosabedascoisas,longosuspiro!)
domingo, 26 de junho de 2011
'A janela ta aberta, a casa é sua, pode morar'
Por maior que você seja, você nunca é demais pro meu coração!

